Alibaba e os 40 advogados

Mais de 40 advogados suspeitos de ligação com PCC são presos por toda SP
A Polícia Civil prendeu ontem dezenas de advogados na “Operação Ethos”, que investiga uma organização criminosa que atua no sistema penitenciário do Estado de São Paulo. A região de Sorocaba também foi alvo. Segundo as investigações, a organização é formada por advogados e presidiários. Entre os detidos, está o vice-presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe), Luiz Carlos dos Santos. Ele é suspeito de ter recebido R$ 130 mil de uma facção para “desestabilizar a Secretaria da Segurança Pública (SSP) por meio de falsas denúncias aos organismos de proteção dos direitos humanos”.
A ação ocorre por diversas cidades do Estado de São Paulo. A facção criminosa envolvida é o Primeiro Comando da Capital – PCC, que controla o crime organizado de dentro dos presídios paulistas. A “Operação Ethos” foi desenvolvida simultaneamente em cerca de 20 municípios, com 33 suspeitos já presos – a maioria advogados. São 41 mandados de prisão e 65 mandados de busca e apreensão contra advogados e outros investigados suspeitos de ligação com o PCC. São 19 homens e 22 mulheres.
Foram mais de 40 advogados alvos dos mandados de prisão, cumpridos em conjunto pela Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público Estadual (MPE). Os trabalhos de investigação, coordenados pela polícia de Presidente Prudente, começaram há um ano e foi identificado o envolvimento de 55 pessoas. De acordo com a Polícia Civil, entre os envolvidos, 14 são presos do Sistema Penitenciário Paulista e seriam os líderes de uma célula criminosa denominada R.
Além do Ministério Público e do apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), participam da operação policiais civis da Capital paulista, da Grande São Paulo, na região de São José dos Campos, de Campinas, de Bauru, de Santos, de Sorocaba, de Piracicaba e de Araçatuba. A ação realizada no Estado envolveu o trabalho de 159 delegados, 459 policiais civis, 65 promotores e 167 viaturas. A Delegacia Seccional de Sorocaba informou que nenhum mandado de prisão foi cumprido por policiais civis daqui. A SSP não divulgou qualquer detalhe da ação que foi cumprida na região de Sorocaba.
Ao menos quatro pessoas foram presas em Campinas – dois bacharéis em Direito e dois advogados. Eles também são alvo de mandados de busca e apreensão.
Em Avaré, cinco advogados foram presos.
‘Pombos-correios’
O secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, e o subprocurador-geral de Justiça de Políticas Criminais e Institucionais do MP de São Paulo, Mário Sarrubbo, detalharam algumas das ações na tarde de ontem. “Ele (o vice-presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe), Luiz Carlos dos Santos) teria de gerar notícias de que organismos policiais agiam de forma errada, perseguiam certos grupos, entre outros”, explicou o secretário da Segurança Pública. “Se você planta notícias que abalam a imagem da polícia, você favorece a criminalidade.” Detido em casa, na cidade de Cotia, na Grande São Paulo, o vice-presidente do conselho é acusado de exploração de prestígio, tráfico de influência e associação criminosa. Dele foram apreendidos um notebook e uma CPU.
Os demais detidos, de acordo com as apurações, utilizavam a profissão de advogados para contatar líderes da facção que estão presos e repassar ordens para bandidos ainda em liberdade, e, ainda, prestavam serviços às famílias dos criminosos. Eles constituíam a célula “R”, parte da organização. “Eles não atuavam na defesa técnica dos já presos, mas por estarem constituídos como defensores, tinham contato direto com 14 lideranças dentro das cadeias”, informou Mágino.
DIREITOS HUMANOS – Criado em 1991, o Condepe é um órgão focado na preservação dos direitos dos cidadãos. Apesar de estar ligado à Secretaria da Justiça e Cidadania do governo estadual, onde, inclusive, funciona a sua sede, o Conselho é autônomo; ou seja, o Poder Executivo indica um representante para a entidade, mas não tem participação no processo eletivo de seus conselheiros ou em sua administração.

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